delícias de uma quinta de manhã

junho 18, 2009

aos poucos você vai perdendo o nojo, sabe? quando é necessário lidar com o lixo, os restos orgânicos, úmidos, de texturas com as quais você não está acostumado… tudo culpa da vida moderna e seus trituradores de frutas.

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acordo ainda meio cansado, meio de susto, pra receber os malditos homens da NET – essa coisa maravilhosa que torna o mundo um lugar melhor. é claro que eles não fizeram o serviço porque não tem tubulação, o fio é velho, tem um banheiro no meio – ah, moço! desculpe! eu vou mandar o pedreiro remover o banheiro… ou trocar de lugar. ¬¬

eles falaram tanta coisa que eu cancelei tudo. “ah, mas aí você pode chamar outro serviço pra mudar o ponto e aí vai ter que trocar o fio…” e ver a maldita da tubulação e o divisor e o telefone da OI e se ativar a linha vai ser da OI e eles são NET e o fio aparente e… MEUDEUS. é melhor correr o risco da minha vó cair no corredor tropeçando no fio da virtua.

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telefone OI. talvez eu tenha perdido essa. é que, assim que você acorda – aos 28 anos – e começam a falar sobre telefone fixo, a única coisa que eu consigo pensar é telerj. é, telerj mesmo. talvez telefônica porque ainda guarda algum relação com telefone. agora, OI? oi? sério?

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é claro que precisava de café, e fui fazer – não sem antes:

1. ir ao crismar;

2. ir à outra padaria comprar pão (comprei 3 bisnagas e aí, no meio do caminho, reparei que a mulher tinha me dado 2)

2,5. voltar e pedir a terceira bisnaga;

3. fazer o café-da-manhã da minha vó e irmão;

4. lavar a louça.

5. aí sim, fazer o meu café. preto tinta.

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com o tempo você perde o nojo.

perde a capacidade de pensar: iu, que coisa nojenta. com o tempo você esmaga os restos entre os dedos, olhando para a tomada no meio de horríveis ladrilhos laranjas e pensa: nada disso importa mais.

e então os restos escorrem por entre os dedos, caem no saco de algum supermercado, você amarra as alças e joga tudo na lixeira do prédio, como se nada tivesse acontecido.

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lavando toalhas

fevereiro 2, 2009

Hoje eu saí, fui ao Parque Lage com uma amiga e depois num aniversário no Parque das Ruínas – onde a minha ruína pessoal teve início. Há muito tempo não saía com o carro, mas hoje resolvi sair porque Santa Tereza não é um bairro de acesso fácil. Cheguei no Parque das Ruínas, dia lindo, céu azul, mas eu não podia beber. Por causa da Lei Seca. Todo mundo bebe, dirige e não é preso, mas eu tenho essa tendência em acreditar que se eu beber e dirigir, serei preso, espancado, multado e estuprado.

No final do aniversário acabei bebendo meio tacinha de espumante.

Ok.

Suficiente.

Vamos pro samba!!!

Mas vamos ser prudentes. Deixei o carro em casa. E fui pro samba. Duas latinhas de cerveja.  Mais duas cervejinhas e shimeji no Jardim Botânico. E então cheguei em casa, 00:30, meio bêbado, e fui lavar roupas.

Aí é que penso como é interessante ser meio dona-de-casa, meio bêbado… fui pedir conselhos para minha vó, como lavar toalha de rosto usada para… Ela me disse um monte de coisas, das quais eu registrei: balde branco, sabão em pó, alguma coisa a ver com toalha soltar tinta. No caminho para a área de serviço lembrei da garrafa de vinho pela metade, na geladeira.

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Na área de serviço, taça de vinho, as toalhas sobre o tanque e um cigarro. Vejamos. Primeiro eu jogo sabão em pó no balde branco – minha vó falou alguma coisa sobre medida mas eu prefiro usar o bom senso. Vejo no armário algum produto tipo alvejante, que deve fazer bem para roupas em geral, então jogo um pouco junto com o sabão em pó. Encho tudo de água, jogo as toalhas dentro e tomo mais um gole de vinho.

Mais uma missão cumprida. Agora é só esperar até amanhã e deixar que a diarista faça o resto.

Pra que todo o trabalho?