aos poucos você vai perdendo o nojo, sabe? quando é necessário lidar com o lixo, os restos orgânicos, úmidos, de texturas com as quais você não está acostumado… tudo culpa da vida moderna e seus trituradores de frutas.
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acordo ainda meio cansado, meio de susto, pra receber os malditos homens da NET – essa coisa maravilhosa que torna o mundo um lugar melhor. é claro que eles não fizeram o serviço porque não tem tubulação, o fio é velho, tem um banheiro no meio – ah, moço! desculpe! eu vou mandar o pedreiro remover o banheiro… ou trocar de lugar. ¬¬
eles falaram tanta coisa que eu cancelei tudo. “ah, mas aí você pode chamar outro serviço pra mudar o ponto e aí vai ter que trocar o fio…” e ver a maldita da tubulação e o divisor e o telefone da OI e se ativar a linha vai ser da OI e eles são NET e o fio aparente e… MEUDEUS. é melhor correr o risco da minha vó cair no corredor tropeçando no fio da virtua.
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telefone OI. talvez eu tenha perdido essa. é que, assim que você acorda – aos 28 anos – e começam a falar sobre telefone fixo, a única coisa que eu consigo pensar é telerj. é, telerj mesmo. talvez telefônica porque ainda guarda algum relação com telefone. agora, OI? oi? sério?
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é claro que precisava de café, e fui fazer – não sem antes:
1. ir ao crismar;
2. ir à outra padaria comprar pão (comprei 3 bisnagas e aí, no meio do caminho, reparei que a mulher tinha me dado 2)
2,5. voltar e pedir a terceira bisnaga;
3. fazer o café-da-manhã da minha vó e irmão;
4. lavar a louça.
5. aí sim, fazer o meu café. preto tinta.
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com o tempo você perde o nojo.
perde a capacidade de pensar: iu, que coisa nojenta. com o tempo você esmaga os restos entre os dedos, olhando para a tomada no meio de horríveis ladrilhos laranjas e pensa: nada disso importa mais.
e então os restos escorrem por entre os dedos, caem no saco de algum supermercado, você amarra as alças e joga tudo na lixeira do prédio, como se nada tivesse acontecido.